27 01
Cultura

La La Land | Uma fofa homenagem aos melhores musicais

Por Diana Monteiro

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS

Acabei de chegar do cinema, faziam 4 meses que não ia e escolhi justamente La La Land pra voltar com tudo. Pretendo assistir a todos os indicados ao Oscar desse ano, vamos ver se conseguirei em tempo da premiação.

Não tem coisa pior pra uma cinéfila e amante de clássicos do que ter expectativa e se frustrar. Fico feliz por ser lembrada por filmes (dependendo das escolhas, claro rs), mas se tem algo que me deixa maluca é ouvir e ver qualquer coisa sobre o longa que quero muito ver. Não adianta, eu tento fugir de todos os spoilers do mundo, mas eu nunca consigo, parece que atraio… kkkkk Digo isso pois sempre acabo sendo influenciada de alguma forma, como foi no caso do filme que falarei hoje.

Eu gosto muito do trabalho do diretor Damien Chazelle. Ele é jovem, talentoso e com grande paixão pela sétima arte. Podemos ver isso claramente em Whiplash. Gostei da ousadia que teve ao fazer um musical, visto que existem muitas pessoas limitadas que fazem caretas pro estilo, já que os blockbusters e roteiros clichês continuam a imperar e induzir a nova geração (segundo pesquisas).

Nos primeiros 20 minutos de filme, me peguei distraída, estava achando tudo um saco, sem falar que não curti o color blocking do figurino do número no tráfego. Veja bem, sou bem crítica, ainda mais quando se trata de musical. Se não me fizer suspirar e ficar sem ar, fato que não vou gostar, preciso me emocionar! Gosto de números, músicas, danças, atuações e figurinos que me transportam da cadeira onde estou sentada pra dentro da tela. É um dos poucos lugares onde me sinto 100% feliz! Nesses momentos me sinto dentro de uma máquina de pelúcias, fico torcendo pra ser ‘fisgada’ pela garra dentro daquele box. E até os primeiros 30 minutos do filme, isso não tinha acontecido.

Outro ponto crucial pra mim, são personagens bem construídos, eu preciso me apaixonar por eles, independente do gênero. Acho que isso pra mim já é 50% do caminho andado. E sou muito fã do Ryan, e estava ansiosa pra ver ele atuando em um musical. Já tinha visto a Emma em diversos vídeos de quando estava em cartaz em Cabaret e adorado, mas o Ryan, somente quando era criança e dançava e cantava com o Justin Timberlake no Clube do Michey, lá pelos seus 11 anos… rs!

Pra minha alegria, as atuações não deixaram nada a desejar, os dois estavam excelentes. Como todo musical, sabemos como o romance do casal principal irá se desenvolver e a forma que acontece com a Mia (Emma Stone) e o Sebastian (Ryan Gosling) é totalmente contrária ao bom e velho clichê, o que começou a me chamar a atenção e me prender. A história é simples, acontece com todo mundo e é mostrada de forma singela e real, sem o final mamão com açúcar que deixa a gente com cara de “pois é”.

A fotografia é linda, sem elementos chamativos, mas sempre com cores fortes, na maioria das vezes em determinados pontos. A ausência de estampas no figurino me deixou curiosa, dando ênfase a peças simples, por mais que tivessem modelagens e estruturas bem feitas.

A música principal, que linka o amor do casal, foi a que mais me cativou, que me fisgou de jeito, pois as outras não me prenderam (embora tenha rido das clássicas do A-ha). Mas gostei da forma como elas foram mostradas, tudo escurecia ao redor da Mia ou do Seb enquanto cantavam, deixando a música como personagem principal.

Durante os números, as referências aos grandes musicais vintage e recentes, aparecem nitidamente, o que causa automaticamente um sorriso, pelo menos aconteceu comigo. Acredito que La La Land seja um musical para pessoas que não gostam de musicais. Ao meu ver, pareceu um filme com momentos lúdicos, que foram transcritos como pensamentos e sensações dos personagens, enquanto cantavam e dançavam, e não um musical de fato. Acho que isso é um ponto positivo, não?

Me vi nos personagens e sofri com eles em alguns momentos, quem nunca se viu infeliz em um momento da sua vida, acreditando que não conseguiria sair da situação e ir atrás do seu sonho? Mesmo mostrando algo confortante, fiquei um pouco irritada, pois eu detesto quando os filmes ‘explicam’ o final. Enquanto a maioria sofreu pelos dois não terem ficado juntos, fiquei aliviada, pois separados, conseguiram realizar seus sonhos profissionais. Na vida alternativa que vemos, após cinco anos da separação, enquanto Sebastian toca em seu piano somente pra Mia a música ‘City of Stars’, no seu tão sonhado clube de jazz, somente um lado tem sucesso profissional. Minha pergunta é: por que precisaram mostrar o que não aconteceu? Pra realmente provarem que pra ambos serem felizes com o que fazem precisavam estar separados? Por que não finalizar com aquele olhar lindo entre eles, onde se agradecem e seguem suas vidas? Esses detalhes de roteiro pra mim definem um filme, e infelizmente me incomodou bastante.

Adorei a música tema e ouvirei no repeat por algumas semanas, mas está longe de ser um favorito. O filme é uma homenagem fofa aos melhores musicais. E confesso que não entendi essa comoção toda por ele. La La Land ganhou 14 indicações ao Oscar. Não vi os outros filmes indicados ainda, mas comparando com os mais recentes musicais (dos anos 2000 pra cá), La La Land fica bem no final da minha lista de favoritos. Que foram Moulin Rouge e Chicago?

Pra mim La La Land teve o mesmo efeito Stranger Things, só que em dose menor.
Não é nada novo, nada surpreende, mas tem aquele quê nostálgico que nos fazem ficar ali sentadinha na cadeira. É um filme que todos devem ver, até pra quem sabe, atrair a nova geração pro estilo que volta e meia ameaça desaparecer.

Fiquei cerca de duas horas procurando fotos e frames pra fazer umas montagens, a fim de mostrar as referências lindas que o Damien Chazelle usou e reproduziu, mas a página Cine O’Culto foi mais rápida e fez um vídeo, mostrando as inspirações dos nostálgicos filmes. Tem Cantando na Chuva, Sinfonia de Paris, Grease, West Side Story, Sweet Charity, Shall We Dance, The Band Wagon, On the Town, Broadway Melody e Moulin Rouge. O detalhe do balão vermelho enquanto Mia e Seb caminham na praça e ela segurando os balões coloridos em uma Paris cinematográfica, como em Le ballon RougeFunny Face foi tão delicado… Aperte o play!

 



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