28 01
Moda / Reflexão

A Chanel pirou? rs

Por Diana Monteiro

Hoje o post é um desabafo. Ontem a minha timeline no FB ficou lotada de comentários maldosos sobre o desfile da Chanel, apresentado ontem em Paris. Li tanta crítica e xingamentos ao Karl Lagerfeld que tirei alguns minutos da minha noite para ver atenciosamente look por look e tentar entender o porquê.

Chanel Couture Colletion Spring Summer 2015 in Paris

As pessoas reclamam tanto, mas tanto da mesmice que certos comentários provocam até risadas, pois se o que vemos toda hora está ruim, por que quando uma grife desse porte resolve ousar é apedrejada? O mesmo é ruim e o diferente é pior, como pode? hahaha

O diretor de criação da Chanel é o Karl e não a Coco Chanel. A grife, para mim, continua com as mesmas qualidades desde a época de Coco, que são: feminilidade, releituras de peças consideradas masculinas para mulheres e o principal, a ousadia.

Todo mundo precisa se atualizar, falar a língua do público e clientes que vivem o presente. Sou aficcionada pelo universo vintage e fico pensando como alguns atores, estilistas e artistas antigos que gosto seriam hoje em dia. E sempre penso que eles iriam continuar com suas essências, mas viveriam o presente.

l

Tá certo que o charme e o glamour que a Chanel sempre vendeu é incrível e faz muitas meninas e mulheres pelo mundo a fora suspirar (eu sou uma delas). Mas estamos em momento de transição e viver no passado só faz a gente regredir. A ousadia e a possibilidade de mudanças ainda assustam as pessoas.

Se olharmos atentamente pros looks, percebemos nitidamente as inspirações de Coco e detalhes de praticamente todas as épocas que ela esteve no comando da criação da sua grife. A diferença é a linguagem, que ao meu ver, está atual. Outro detalhe importante, por mais que revistas e planos de marketing induzam um certo tipo de público, as grifes, por mais poderosas que sejam, precisam vender e com o boom das blogueiras, instagramers e internet influencers que vemos por aí, o produto tem que agradar diversos tipos de tribos.

chanel desfile - maisondadi

As modelagens clássicas e minimalistas de tailleur continuam, assim como chapéus conceituais. O que está de diferente? Cores fortes e inserção do high-low.

chanel ss 2015 couture - maisondadi

A brincadeira de posicionar bolsos em lugares incomuns em um conjunto com inspiração clássica com um gorro repleto de pedraria é genial, é como vemos nas fotos de street style que curtimos por aí. Assim como o material no conjunto verde, que tem a marcação da cintura da década de 1920, época que Coco entrou pro segmento da moda. Já o terceiro look é lindo pra um tapete vermelho despojado, sem falar que é a cara da Victoria Beckham, não? Uma Chanel com inspiração urbana.

chanel ss2015 - maisondadi

O preto e branco clássico da grife está na coleção. O que os críticos facebookianos viram de ruim? Eu vejo looks joviais, fashionistas e livres. Acreditam que eu li um comentário limitado e preconceituoso, falando que “mulher Chanel” não baixaria o nível mostrando a barriga? Eu ri tanto que fiquei até com preguiça de enumerar tamanha ignorância. Mas vamos lá…

1) Rotular uma mulher que veste Chanel é ridículo. Ela pode vestir a marca pelo valor de status que a grife representa na moda. Ou pelo simples fato de adorar a história da Chanel. Ou por realmente achar as peças de ótima qualidade e se sentir confortável nelas. Pra que generalizar algo em cima do que você acredita ser?

2) Vamos parar com esse preconteito de estilos diferentes. Já deu, né?

chanel ss 15 - maisondadi

Texturas, desconstruções e mix de materiais. Quem viu filmes biográficos da Coco ou estudou sua história sabe que ela adorava explorar tecidos considerados não apropriados para a moda e misturar estilos. E como ela mesma dizia: é importante quebrar esteriótipos.

Os desfiles contam a história da coleção. Se você não for uma celebridade, modelo ou alguém que necessite vender a peça em seu corpo (ou receba para isso), verá que as tendências são mostradas pelos detalhes, modelagens, cores, acabamentos, texturas e afins.

A moda é para ser divertida. Quem leva a moda a sério não curte explorar seu estilo pessoal. E eu tenho certeza que a maioria dos reclamões do desfile da coleção primavera-verão 2015 adorariam ter ou vestir uma das peças e usar por aí. Claro que não necessariamente na mesma combinação apresentada na passarela. Quem viu “O Diabo Veste Prada” e estudou moda sabe que as mesmas peças desfiladas nas capitais de moda estarão em praticamente todas as lojas do mundo todo (releituras e peças com seus diferenciais, claro).

A verdade é que o povo gosta de reclamar! Afe!
Não gostar da coleção é uma coisa, todos possuem o direito de opinar. Mas julgar o trabalho inteiro de um estilista e a história de uma marca em cima de alguns looks que não agradaram é tão chato… rs.



Deixe seu comentário


Nenhum comentário

@maisondadi no instagram