20 02
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London Calling | #11AnosDiRica

Por Diana Monteiro

A produção dessa semana divide opiniões, dependendo de como você vê a juventude roqueira da década de 1980, especificamente em Londres. Você é uma pessoa careta e limitada ou revolucionária, culta, em busca da diversidade?

Um dos pontos mais legais de montar o nosso estilo, tanto na moda como na vida, é o conjunto de referências que colecionamos e colocamos em prática. Algumas pessoas brincam falando que às vezes pareço uma enciclopédia (embora eu ache que existam diversas pessoas muito mais cultas por aí), o que acho engraçado… rs. Acho que se deve ao fato de ser uma pessoa curiosa, estudar o comportamento das pessoas e a história social e política por trás da moda. Por isso falo que sou uma construção de inspirações e estilos, me recuso a aceitar labels e ser encaixada em tribos e padrões estabelecidos. Eu sou a Di. Sei do que gosto e o que não gosto. E mesmo assim, me permito experimentar o que não faz parte do meu dia a dia. Afinal, é ótimo ter ousadia!

Não sei se é porque nasci no início da década de 1980, mas eu AMO essa época, principalmente em termos culturais! As referências dessa década são infinitas, mas como não queria repetir o estilo cinematográfico do Spielberg que fiz no look da Eleven aqui, por que não mergulhar no universo das bandas que amamos, além de personagens cults?

Com o título de ‘London Calling’ (eleita a melhor canção dos anos 80, saudamos ao The Clash \o/), homenageamos com esse editorial alguns dos músicos que transformaram o segmento musical pra sempre, na cidade que, por um breve tempo, foi chamada de underground, por conter inúmeros ‘revoltados’. Por que sempre os que vão contra o sistema e buscam se expressar de forma diferente da maioria são rebeldes? Se esse é o termo certo, teria o prazer de estar inclusa nele, com a diferença que seria com causa, por muitas causas!

O punk e o gótico, assim como os sintetizadores, entraram com tudo no rock, criando novas vertentes pro estilo musical. Obrigada The Cure, por existir! <3 O impacto também foi pras roupas que, com o apadrinhamento da Vivi Westwood (aquela que acha que é íntima né), ganhou seguidores, induzindo as pessoas criarem seus próprios looks, misturando as mais diversas peças, principalmente as que causavam estranheza entre os populares.

Me arrisco a dizer o que o street style pode ter nascido nessa época pois, diferente dos USA e do resto do mundo, as produções eram montadas de acordo com o lifestyle, criando uma identidade visual para os então, revolucionários e amantes dessa nova tribo que nascia.

Por mais que as padronagens xadrezes fizessem parte do estilo, escolhi o preto pra ser cor principal da cartela, porque né, como não amar essa cor sóbria a atemporal, que transita em todos os estilos e épocas? Renda, jeans, bottons e rufo branco também entraram como detalhes, pra ‘costurar’ a minha visão pros looks.

Um dos meus personagens favoritos é o Zachary, do filme C.R.A.Z.Y, onde na trama, se descobre ao longo das décadas, até chegar no final dos 80. Sua visão do mundo vai mudando conforme vê os padrões dominarem, assim como a censura. Ele, assim como o Robert Smith (vocal do The Cure), foram minhas principais inspirações pra montar o look do Rica. Posso dizer que AMEI ele assim? São nessas horas que vejo o quanto sou feliz por estar com alguém que realmente possui quase os mesmos gostos que eu…

Calça preta, coturno, camiseta, uma gravata solta pra ir contra à alfaitaria imposta na época e claro, uma jaqueta com pins, que vão desde a bandeira do Reino Unido, Bowie, Edward Mãos de Tesoura e arte macabra de Mark Ryden.

Já pro meu look, me inspirei na Raphina, do filme recém adicionado no netflix, o Sing Street, que mostra um grupo de adolescentes de Dublin que sonha em tentar a vida profissional em Londres. Uma fofura, vale muito a pena ver! E claro, na Madonna, que pra mim, sempre foi além do seu tempo. Legging rendada, saia de couro, blusa com rufo e o conhecido blazer da época, que tinha modelagem ampla e longa. Rabo-de-cavalo pro lado, arrematado por um delicado laço de poá.

A história do editorial? Claro, vamos lá:
Rica fez surpresa e apareceu na porta da minha faculdade, pois sugeriu que ficasse um pouco na casa dele antes de irmos pro show do The Cure. Mas antes quis passar na loja de LPs pra pegar um dos Stones, pois havia lido numa matéria que o Jagger tinha inserido mensagens subliminares em algumas músicas. Peguei pra rir com o Rica, pois com certeza já devíamos saber quais eram, embora acreditávamos que as mensagens eram bem diretas.

Passamos no pub pra pegar umas cervejas e fazer um “pré” antes do show e, ao chegar lá, não deu outra! Nos divertimos e rimos como nunca! Afinal, como é curiosa a forma que as pessoas interpretam tudo à sua maneira, né? O rock nada mais é do que uma forma de expressão, que cria os mais diversos sentimentos e sensações. Após alguns cigarros e ouvir o álbum inteiro duas vezes, conversamos sobre como o mundo estava devagar, e como a evolução estava lenta…

Nossa maior questão foi: será que lá pelos anos 2000 vamos ter progredido?

Antes que eu pudesse começar a mergulhar nos meus medos e preocupações, Rica me puxou pra dançar, me deu um beijo e decidi aproveitar o momento! Descemos as escadas correndo em direção rua e, depois de sermos praticamente expulsos do ônibus, encontramos com uns amigos e fomos curtir o show! Que noite deliciosa, lembro como se fosse ontem… rs!

 

 

 

 



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